domingo, 15 de junho de 2014

MALEDICÊNCIA


"Há culpa em se estudar os defeitos alheios? Se é com o fito de os cultivar e divulgar, há muita culpa, porque isso é faltar com a caridade; se é com intenção de proveito pessoal, evitando-se aqueles defeitos, pode ser útil; mas não se deve esquecer que a indulgência para com os defeitos alheios é uma das virtudes compreendidas na caridade. Antes de censurardes as imperfeições dos outros, vede se não podem fazer o mesmo a vosso respeito. Tratai, pois, de possuir as qualidades con­trárias aos defeitos que criticais nos outros, pois esse é um meio de vos tornardes superior. Se os censurais por serem avarentos, sede generosos; por serem orgulhosos, sede humildes e modestos; por serem duros, sede dóceis; por agirem com mesquinhez, sede grandes em todas as vossas ações; em uma palavra, fazei de maneira que não se vos possam aplicar aquelas palavras de Jesus: 'Vedes um argueiro no olho do vizinho, e não vedes uma trave no vosso!' " (Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Livro Terceiro. Capítulo XII. Perfeição Moral. Pergunta 903.)

A tendência perniciosa que trazemos de comentar o mal, frequentemente se manifesta nas conversações que costumamos manter nos círculos entre "amigos". Quando entra em pauta tecer referências a pessoas, parece ser até irresistível a abordagem dos aspectos mais desabonadores das criaturas. E não fica apenas nisso. O que é muito pior são os acréscimos por conta da imaginação doentia, nas calúnias e interpretações malévolas que se fazem.

Veicular a má informação é algo muito sério, é até desonesto. Sim, porque, em sã consciência, quem pode emitir julgamento sobre alguém? E ainda, quem pode atirar pedras ou apontar ciscos nos olhos do próximo sem se achar carregado de pecados ou sem uma trave nos seus próprios olhos?

Tramar sutilmente denúncias comprometedoras para prejudicar propositadamente a quem quer que seja, no trabalho profissional ou no convívio social, é procedimento a ser energicamente corrigido.

"Não há institutos de pesquisas no mundo capazes de avaliar a quantidade de infortúnio e delitos desencadeados entre os homens, anualmente, resultantes das impressões falsas proclamadas como verdadeiras." (W. Vieira. Técnica de Viver. Capítulo 10. Desconfiemos de Nós.)

As pessoas podem ver ou ouvir uma coisa, e a própria imaginação, habituada ou condicionada à viseira da malícia, pode interpretar outra ou propagá-la distorcidamente. Vigiemo-nos, portanto, contra as nossas impressões negativas e tenhamos em conta que "O tempo que se emprega na crítica pode ser usado em construção". (F. C. Xavier. Sinal Verde. Capítulo 36. Temas da Crítica.)

O falar mal, a crítica mordaz, a interpretação pejorativa, o comentário malicioso, o julgamento falso, a suspeita comprometedora, a denúncia caluniosa são facetas pelas quais a maledicência se apresenta. Apliquemos os recursos da caridade para com o nosso próximo e silenciemos quando não pudermos valorizar, pela palavra ou pelo pensamento, as ações no bem, que sempre, todos nós, podemos realizar.
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