segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Vigiai e orai, para não cairdes em tentação

No evangelho de Mateus, encontramos as palavras de Jesus “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação”.

Essa frase de Jesus tem subjacente uma sabedoria extraordinária, já não representa um simples preceito moral ou religioso, mas passa com a doutrina espírita a ser entendido como lei.

O mestre tinha uma missão a cumprir: ensinar ao homem as leis do amor, do perdão e da prática da caridade, leis emanadas de Deus, que governam os homens, os espíritos e os mundos sem excepção.

Para passar esses ensinos ele não poderia derrogar as leis naturais, pois era necessário que o homem através do progresso das ciências atingisse níveis de compreensão mais elevados.

Sendo conhecedor do estágio evolutivo do homem “espírito em evolução” a quem se dirigia, e dada a sua elevada categoria espiritual, encontrou na simplicidade e na parábola, a fórmula mágica para passar o amor e a verdade, sem ferir, sem magoar, sem escandalizar.

Hoje porém, e fruto dos conhecimentos entretanto alcançados pelas ciências e pelo intelecto, surge o Consolador prometido, a doutrina espírita, que nos revela essas leis de forma mais esclarecida, mais prática e mais racional.

Vamos analisar por partes cada um destes itens “vigiai”, “orai”, “para na cairdes em tentação” para que melhor possamos compreender o profundo alcance trazido por Jesus.

Porque devemos vigiar?

Neste item teremos de ter atenção a dois tipos de vicissitudes, as de ordem material e as de ordem espiritual.

Em relação à matéria deveremos conhecer as nossas tendências no sentido de eliminarmos o que há em nós de instintos inferiores que acalentamos no nosso íntimo, pois devemos ter presente que somos espíritos em evolução portadores de defeitos e virtudes que revelam a nossa essência.

A vigilância faz-se necessária pois o quotidiano apresenta-nos constantemente situações que nos sugestionam e condicionam.

Para melhor compreender esse efeito, vejamos como exemplo o marketing, que mais não faz que sugestionar na nossa mente o desejo de consumir.

Analogamente no nosso inconsciente acalentamos ideias inferiores que fazem parte do nosso património espiritual, que quando sugestionadas por factores externos “reflexos condicionados psíquicos” com a ajuda de mentes afins, accionam e potenciam, essas mesmas ideias e tendências inferiores.

Essas mesmas tendências que trazemos em nós, uma vez despertas, fazem accionar a mente impulsionando o desejo, e como consequência voltamos a vivenciar experiencias negativas do passado.

Não podemos esquecer também que pelo acto de pensar permutamos ideias, influenciamos e somos influenciados por mentes afins, que tanto podem ser encarnados como desencarnados, que nos sugestionam a fim de que lhes possamos satisfazer os apetites.

Como verificamos, a aproximação dessas entidades é feita a convite, ou seja, se acalentamos paixões inferiores, atraímos para nós, sobre a nossa responsabilidade, entidades que potenciam em nós tudo o que nos liga à matéria e que nos faz estagnar na marcha evolutiva.

Ficamos a perceber as palavras de Emmanuel no livro Fonte Viva, quando nos diz:

“As mais terríveis tentações decorrem do fundo sombrio de nossa individualidade, assim como o lodo mais intenso, capaz de tisnar o lago, procede do seu próprio seio.

Renascemos na Terra com as forças desequilibradas do nosso pretérito para as tarefas do reajuste.

Nas raízes de nossas tendências, encontramos as mais vivas sugestões de inferioridade.

Não te proponhas, desse modo, atravessar o mundo, sem tentações. Elas nascem contigo, assomam de ti mesmo e alimentam-se de ti, quando não as combates, dedicadamente, qual o lavrador sempre disposto a cooperar com a terra da qual precisa extrair as boas sementes.”

Allan Kardec, o codificador do espiritismo ao desenvolver a explicação da oração dominical, no seu Cap. XXVIII do Evangelho Segundo o Espiritismo esclarece:

“- A causa do mal está em nós próprios, e os maus Espíritos apenas se aproveitam de nossas tendências viciosas, nas quais nos entretêm, para nos tentarem.

- Cada imperfeição é uma porta aberta às suas influências, enquanto eles são impotentes e renunciam a qualquer tentativa contra os seres perfeitos.

- Tudo o que possamos fazer para afastá-los será inútil, se não lhes opusermos uma vontade inquebrantável na prática do bem, com absoluta renúncia ao mal.

- É, pois, contra nós mesmos que devemos dirigir os nossos esforços, e então os maus Espíritos se afastarão naturalmente, porque o mal é o que os atrai, enquanto o bem os repele.”

Como podemos verificar as tendências inferiores que fazem parte do nosso património evolutivo, manifestam-se naturalmente, daí a necessidade da vigilância permanente das nossas tendências.

Porque devemos orar?

A oração é um ato através do qual nos colocamos em sintonia permutando energias com as esferas mais altas da vida, com entidades do bem, sublimando sentimentos.

Essa permuta de energias aproxima as entidades do bem que nos aconselham e ajudam a superar as nossas fraquezas e como sabemos onde há entidades do bem, as entidades do mal afastam-se não podendo actuar sobre nós, uma vez que não lhes estamos a dar o campo de sintonia para lhe absorver a influenciação.

Através da prece, conforme no explica Allan Kardec, no cap. XXVII do Evangelho Segundo o Espiritismo, Item 7:

“O que Deus lhe concederá, se pedir com confiança, é a coragem, a paciência e a resignação.

E o que ainda lhe concederá, são os meios de se livrar das dificuldades, com a ajuda das ideias que lhe serão sugeridas pelos Bons Espíritos, de maneira que lhe restará o mérito da acção.

Deus assiste aos que se ajudam a si mesmos, segundo a máxima: "Ajuda-te e o céu te ajudará", e não aos que tudo esperam do socorro alheio, sem usar as próprias faculdades.

Mas, na maioria das vezes, preferimos ser socorridos por um milagre, sem nada fazermos.”

Explica ainda Allan Kardec, no cap. XXVII do Evangelho Segundo o Espiritismo, Item 10:

“O Espiritismo nos faz compreender a acção da prece, ao explicar a forma de transmissão do pensamento, seja quando o ser a quem oramos atende ao nosso apelo, seja quando o nosso pensamento eleva-se a ele.

Para se compreender o que ocorre nesse caso, é necessário imaginar todos os seres, encarnados e desencarnados, mergulhados no fluido universal que preenche o espaço, assim como na Terra estamos envolvidos pela atmosfera.

Esse fluido é impulsionado pela vontade, pois é o veículo do pensamento, como o ar é o veículo do som, com a diferença de que as vibrações do ar são circunscritas, enquanto as do fluido universal se ampliam ao infinito.

Quando, pois, o pensamento se dirige para algum ser, na Terra ou no espaço, de encarnado para desencarnado, ou vice-versa, uma corrente fluídica se estabelece de um a outro, transmitindo o pensamento, como o ar transmite o som.

A energia da corrente está na razão directa da energia do pensamento e da vontade.

É assim que a prece é ouvida pelos Espíritos, onde quer que eles se encontrem, assim que os Espíritos se comunicam entre si, que nos transmitem a suas inspirações, e que as relações se estabelecem à distância entre os próprios encarnados.“

Como verificamos, somos regidos por leis de sintonia, permutamos energias com encarnados e desencarnados.

De acordo com os nossos sentimentos e com as nossas aspirações teremos ao nosso redor entidades que nutrem os mesmos valores.

Dependendo da nossa “vigia” ou “ policiamento” dos pensamentos emitidos, naturalmente teremos mais condições de atrair entidades do bem que nos inspiram no caminho recto, recebendo-lhes a influenciação benéfica.

Em contrapartida se não “vigiamos” os pensamentos, atrairemos os que pensam na mesma ordem de valores, recebendo-lhes a influenciação correspondente, “caindo na tentação”, conforme nos advertiu jesus.

Bibliografia:

Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec

Fonte Viva; Francisco Candido Xavier

Desenvolvimento Mediúnico; Rino Curti

Carlos Santa Marinha

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