sexta-feira, 13 de agosto de 2010

CAP. XVII – SEDE PERFEITOS PARÁBOLA DO SEMEADOR


O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

Dando seqüência aos estudos dos capítulos desse importante livro da codificação Espírita, após o item “os bons espíritas” adentremos agora no item “parábola do semeador”.

Vimos no item anterior que o Espiritismo é uma nova revelação para a humanidade. No momento propício, quando o homem se aprimorou em tecnologia, em intelectualidade, amadureceu um pouco mais enfim, Jesus permitiu que o Consolador viesse para dar respaldo às conquistas do homem, orientando-o, quanto a sua realidade.

Nessa parábola trazida pelo Mestre Jesus, temos três estágios do amadurecimento mental do homem.

a) O subconsciente (1) representado pelas sementes que caíram ao longo da estrada e que foram comidas pelas aves.
b) O consciente, (1) que é representado por aquelas sementes que caíram em lugares pedregosos e não puderam frutificar e também as que foram sufocadas pelos espinhos.
c) O superconsciente, (1) representado pelas sementes que caíram em terra boa e fruteceram a cem, a sessenta e a trinta por uma.

O semeador é o próprio Mestre Jesus, que esparge seus ensinamentos como sementes sadias, boas, aptas a florescerem. Ele semeia no campo das mentes.

O subconsciente é o campo do passado do homem.
O acervo de suas conquistas, muitas delas parciais, necessitando, portanto de aprimoramento. É o campo dos hábitos e dos automatismos. Na maioria dos homens encarnados na Terra é um campo ainda inculto, árido. As sementes lançadas, ou caídas nessa terra, não conseguem penetrar nesse solo sem trato; ficam expostas, à mercê das aves e do calor solar, não prosperam.

O consciente é o campo do presente.
O dia a dia do homem, lida com suas preocupações maiores, com as necessidades de sobrevivência, seus afazeres, seus compromissos.
As pedras do imediatismo, da preponderância de seus anseios, do destaque, do ter, e os espinhos das dificuldades sociais, familiares, as limitações religiosas, as frustrações comuns da vida, determinam-lhe a qualidade e o direcionamento que dá ao seu comportamento.
Esse campo é alimentado, através do livre-arbítrio, tanto pelo subconsciente, quanto pelo superconsciente.

O superconsciente é campo das aspirações futuras sublimadas. Campo fértil que aguarda a atitude do homem para dele se servir e haurir os estímulos do progresso, da paz, da harmonia, do desejo de crescimento, que alimentam as atitudes no presente, no consciente.

O Mestre encerra a sua Parábola dizendo “que ouça aquele que tem ouvidos de ouvir” (2) ou seja; adverte o homem para que observe em qual desses campos estará ele mais fixado.

Quando o homem vive no passado, sendo o que sempre foi, automaticamente, despreocupado com o auto-aprimoramento intelectual e moral, movendo-se por atitudes e conceitos superados que, quiçá, transmigraram com ele de existências passadas, sua mente vive no subconsciente e oferece campo infértil para as sementes.

Se ele absorvido pelas preocupações do dia a dia, pensando em sobressair-se individualmente, em obter sempre mais insaciavelmente, sem tempo para si mesmo, para a sua realidade de ser espiritual destinado a felicidade, o campo mental estará pedregoso, arenoso, cheio de espinheiros. As sementes lançadas nesse campo embora encontrem meios para fixar suas raízes, não conseguem se desenvolver pois as preocupações do consciente; do presente, sufocam as melhores inspirações e o homem torna-se indiferente, sem iniciativa para cultivar a sementeira recebida. Açodado, não busca valer-se dos recursos arquivados no subconsciente e nem dos estímulos que o superconsciente oferece.

Entretanto quando o homem se dedica as pesquisas, aos estudos, ao auto-conhecimento, tem iniciativas de progresso, é moderado, equilibrado, e visa sempre descobrir seu potencial de amor e de utilidade. Ao identificar seu potencial tem humildade para colocá-los em prática. Se não se atemoriza diante do sofrimento do esforço que suplanta as próprias limitações. Dá de si mesmo para amealhar experiências e novas conquistas, então ele opera no superconsciente, e oferece campo fértil para a frutescência das sementes do bem ofertadas pelo Mestre.

A parábola do semeador é, portanto, um convite para a reflexão e identificação de qual campo mental prevalece em nossas mentes, e, consequentemente qual a qualidade da gleba que oferecemos ao Divino Semeador.


(1) No Mundo Maior – cap. 3 – André Luiz/Chico Xavier
(2) Mateus 13.9 – Bíblia - Novo Testamento
Postar um comentário