sexta-feira, 14 de maio de 2010

O estrangeiro que despertou no Brasil após a desencarnação




“O meio no qual se encontra o médium, exerce alguma influência sobre as
manifestações?
R. Todos os Espíritos que rodeiam o médium o ajudam no bem como nomal.”
Allan Kardec, O livro dos médiuns, Cap. XXI, q. 231;1

Umas das experiências mais interessantes que pudemos viver, junto aos companheiros de atividades nas sessões da casa espírita que freqüentamos por longos anos, foi essa de um estrangeiro ter o seu despertar na vida espiritual ocorrido em terras brasileiras.
O caso se deu inesperadamente, quando após os procedimentos habituais de
abertura e harmonização da sala na qual seria realizada a reunião, e após alguns
atendimentos mais comuns, como a recém-desencarnados em hospitais ou residências, e
que receberam uma primeira orientação sobre seu novo ambiente, apresenta-se um Espírito, masculino e com sotaque espanhol, balbuciando coisas como quem despertasse de um sono profundo e reparador.
Ao ouvir a voz do dirigente da reunião, começou a responder vagamente às perguntas um tanto triviais que lhe eram feitas, tais como:
- Como se sente? Alguma dor ou incômodo?
- Você sabe onde está?
A essas perguntas ele respondia ainda lentamente, mas com recuperação bastante
rápida em relação a outros casos. Aos poucos ele passou a fazer perguntas sobre onde se encontrava, quem era aquele com quem conversava etc. Instado a explicar o que lhe
ocorrera, disse lembrar-se de um mal-estar súbito e depois mais nada. Sentia-se como se a cabeça estivesse oca, mas sem maiores desconfortos físicos ou emocionais.
Prosseguindo na entrevista que visava levá-lo a dizer mais de si mesmo, fomos
compreendendo tratar-se de um Espírito com boa condição espiritual. Perguntou onde
estava e lhe foi informado tratar-se de uma instituição espírita. Disse já ter ouvido falar em Espiritismo, mas apenas isso. Perguntou por que estava ali, e lhe foi dito que para uma ligeira conversa sobre o inevitável momento em que cada ser encerra sua passagem pela Terra e toma outros rumos, em outros mundos.
Percebendo a alusão à morte, perguntou sem rodeios se isso já lhe tinha acontecido
e se fosse verdade, como ainda pensava, sentia e falava como antes? O orientador
convidou-o a olhar em volta e descrever o que via. Mencionou ter dificuldades em enxergar com clareza, mas via e ouvia pessoas que lhe falavam em seu idioma, o espanhol, e outras que falavam português. Perguntou por que isso acontecia.
Nesse momento, a intuição sobre o caso, somada a um ligeiro comentário de um
médium vidente deixou a questão mais clara. Ele fora um bom homem em sua terra natal,
teve seus méritos, uma vida digna apesar de nunca ter se ligado a nenhuma religião em
especial.
Sempre sonhara em vir para o Brasil, algum dia. Fatores por nós desconhecidos
haviam impedido nosso visitante de realizar seu sonho, mas como nada fica sem o
conhecimento de Deus e dos Amigos Espirituais, essa surpresa lhe fora reservada para logo depois da desencarnação.
Abriu os olhos espirituais e pode sentir o ambiente das terras que desejara conhecer
quando ainda na vida material. Comoveu-se muito quando tomou ciência do momento que experimentava.
A seu modo, agradeceu ao Criador de todas as coisas, pelo auxílio recebido e disse
não estar assustado com a morte ainda recente. Sentia-se relativamente bem e claramente feliz pela surpresa.
Surpresos ficamos nós ao perceber até que ponto chega a misericórdia de Deus, que
realmente sabe de cada folha de árvore que cai. Nosso visitante seguiu feliz para as
paragens espirituais a que tinha direito, na companhia de seus amigos e patrícios.
Essa experiência, apesar da distância no tempo, marcou muito os que dela
compartilharam, pois deixara bem claro que nossos anseios mais íntimos, nossos desejos mais recônditos são do conhecimento do Pai e daqueles amigos que, do “lado de lá”, nos aguardam o retorno à vida verdadeira, sempre com a esperança que retornemos vitoriosos sobre nós mesmos e em condições de prosseguir a jornada evolutiva.

Livro :Casos e Experiências com a Mediunidade Paulo R. Santos
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