sexta-feira, 14 de maio de 2010

O caso do morto por queimaduras e os efeitos físicos





“A produção do fenômeno prende-se à natureza especial do médium, e
poderia se produzir por outros médiuns com mais facilidade e prontidão?
R. A produção do fenômeno prende-se à natureza especial do médium, e não
poderia se produzir senão com naturezas correspondentes; pela prontidão, o hábito que
adquirimos, correspondendo, freqüentemente, com o mesmo médium, nos é um grande
socorro.”
Allan Kardec, O livro dos médiuns, Cap. V – q. 99;3


Dentre os acontecimentos mais inesperados encontram-se, sem dúvida, aqueles
fenômenos de efeitos físicos, sempre impressionantes, pois afetam diretamente nossos
sentidos materiais, afastando eventuais dúvidas a respeito, ressalvados os casos de
confundir-se ruídos, odores, luminosidades etc., que podem ocorrer inadvertidamente no ambiente mediúnico.
Um caso interessante aconteceu, certa vez, numa reunião da qual participava
excelente médium, quase completamente inconsciente dos acontecimentos durante sua
ocorrência.
Nessa sessão, foi trazido um Espírito bastante alquebrado e confuso. Gemia muito,
dizendo sentir dores horríveis e pedindo que apagassem as chamas que lhe tomavam todo o corpo.
Incorporado no médium que lhe traduzia e partilhava, naquele momento, os
sofrimentos, deu-se imediato atendimento, pedindo aos demais participantes da sessão para que elevassem seus pensamentos e sentimentos às esferas superiores, intercedendo por aquela criatura que tanto sofria, sem a menor noção de sua atual situação de “morta”.
Na conversa, iniciada com exortações de calma e paciência enquanto o socorro lhe
era prestado, apagando as chamas que ele ainda sentia por força do doloroso processo de desencarnação e fixação mental.
Notava-se seu empenho em atender aos apelos e orientações do dirigente, enquanto
encarnados e equipe socorrista espiritual agiam em seu favor. Durante os minutos que se seguiram, um forte cheiro de coisa queimada passou a ser percebido pelos presentes. Cheiro de carne queimada.
Ficava assim perceptível a co-participação do médium no processo, quando o
ectoplasma de suas células carnais funcionavam como uma espécie de “reagente” para a
depuração perispiritual do desencarnado em estado de intenso sofrimento. Possivelmente, as vibrações de baixo teor, geradas pela sensação de dor, eram assimiladas pelo médium através de seu organismo. Intermediava, ainda, as orientações possíveis e cabíveis naquele momento.
De imediato, o dirigente procurou averiguar se o odor vinha de outro ambiente ou
da vizinhança, pelas janelas ou portas, quem sabe, sem interromper o atendimento.
Constatando que era um fenômeno de efeito físico, confirmado pelos outros médiuns
presentes, o Espírito em atendimento foi lentamente conduzido ao sono reparador, após os passes e palavras de reconforto, que lhe serviram como processo de sugestão mental e com o objetivo de levá-lo a adormecer e aguardar, confiante e sob os cuidados dos enfermeiros espirituais, seu despertamento em local apropriado ao seu caso, para tratamento e recuperação.
Não era um caso que se pode chamar efetivamente de obsessão, como o leitor pode
depreender, mas um caso de desencarnação dolorosa, com repercussões mentais e
perispirituais que demandavam os recursos de um encarnado, de modo a drenar as energias de baixo teor do perispírito do recém-desencarnado, além de proporcionar-lhe energias (ou fluidos) mais próprios ao seu caso, pela sua relativa proximidade da vida e dos processos vitais dos encarnados.
Situações semelhantes exigem certa rapidez no atendimento, pois o médium,
sentindo as repercussões dolorosas do desencarnado, sofre com ele, desgastando-se
também. O encaminhamento aos postos de socorro espirituais deve ser realizado o quanto antes e o médium, em geral, precisa de algum tempo a mais para recuperar-se.
Situações dessa natureza demonstram a necessidade das sessões realizadas por
encarnados, pois somente estes têm, em seu corpo carnal, os fluidos apropriados a
determinados estados doentios dos desencarnados.
Se assim não fosse, o socorro poderia ser prestado diretamente pelos Benfeitores
Espirituais e sem o auxílio dos médiuns e demais membros das sessões mediúnicas. Menos ainda de locais adequados na esfera material.
Sem dúvida, são inúmeros os casos de socorro espiritual nos quais a participação
direta dos encarnados pode ser dispensada mas, com certeza, esse intercâmbio favorece o crescimento e mútuo aprendizado espiritual, propiciando regular aproximação entre Visível e o Invisível.

Livro: Casos e Experiências com a Mediunidade Paulo R. Santos
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