sexta-feira, 20 de março de 2015

PSICOBIOFÍSICA: NOVO PARADIGMA PARA A CIÊNCIA


1 - Psicobiofísica: Novo Paradigma para a Ciência


Quem sabe não fala: Quem fala não sabe. (Lao-tse)

O LEITO DE PROCUSTA

Reconhecemos, ab initio, que o título deste pequeno e despretensioso discurso versa sobre uma quase impossibilidade: Não acreditamos que a Psicobiofísica possa tornar-se um novo paradigma para a Ciência em geral; longe de nós tal pretensão! Entretanto, gostaríamos que ela chegasse a ser pelo menos um modelo para a ciência dos fenômenos paranormais.

O vocábulo psicobiofísica foi criado pelo ilustre parapsicólogo italiano Marco Todeschini e proposto como substituto da palavra parapsicologia. Confessamos não conhecer precisamente o significado atribuído por Todeschini ao termo psicobiofísica. Todavia, achamos oportuno adotá-lo após atribuir-lhe o seguinte conceito:

"A Psicobiofísica deveria ser uma disciplina científica cujo objeto fosse o estudo dos fenômenos psíquicos, biológicos e físicos, em todas as suas manifestações, com ênfase nas de carácter paranormal".

Historicamente, o estudo dos fenômenos ditos paranormais vem sendo encarado, particularmente, como objeto da Psicologia, uma vez que seja demonstrada rigorosamente a realidade de tais ocorrências. Esse critério pode ser revelado até mesmo no étimo das diferentes palavras usadas para denominar a disciplina que se incumbe de estudar os fenômenos paranormais. Por exemplo: Psychical Research = Pesquisa Psíquica, isto é, pesquisa que se supõe pertencer à área da Psicologia; outra: Metapsíquica, isto é, além do domínio da Psicologia, mas implicando únicamente a natureza psíquica dos fenômenos; mais outra:

1 - PSICOBIOFÍSICA: NOVO PARADIGMA PARA A CIÊNCIA

Parapsicologia, ou seja, paralelamente à Psicologia; como se vê, admite-se, a priori, tratar-se de fenômenos de natureza exclusivamente psíquica.

Então, conforme mostramos linhas atrás, ocorre uma sistemática pressuposição de que todos os fenômenos paranormais devem ser unicamente enquadráveis na categoria psicológica. Com isso, tais ocorrências serão consideradas manifestações da mente, portanto redutíveis simplesmente a funções psíquicas paranormais. Essa forma reducionista de encarar os fenômenos chamados paranormais afigura-se-nos insuficiente e muito limitada, fazendo-nos lembrar de uma lenda grega conhecida com o nome de O Leito de Procusta. Tal lenda conta o seguinte:

"Procusta (Procustes, ou Procusto) era o nome de um salteador que teria vivido na Ática, região da Grécia antiga situada a noroeste do Peloponeso, defronte à ilha Eubéia e cuja capital era Atenas. O referido salteador, após despojar os viajantes, levava-os ao seu esconderijo, onde havia um leito de ferro. Uma vez ali, Procusta procurava ajustar o tamanho de suas vítimas ao comprimento do leito de ferro. Se o viajante fosse maior do que o comprimento daquela cama, Procusta cortava-lhe os pés ou as pernas; se fosse menor, esticava-o por meio de cordas, até atingir a exata dimensão do leito. Segundo esta mesma lenda, o bandido Procusta foi morto por Teseu, que lhe aplicou o mesmo suplício".

Pois bem, o sistemático enquadramento da fenomenologia paranormal dentro dos limites da categoria psicológica parece-nos uma tentativa "procustiana" de "reduzir" os fatos paranormais a meros produtos psicofisiológicos do cérebro, presumível sede da mente.

A PSICOBIOFÍSICA E SEUS POSTULADOS BÁSICOS

A Psicobiofísica parte dos seguintes princípios cuja realidade é sobejamente apoiada por evidências observacionais e experimentais:

1) A existência do Espírito como uma realidade positiva e demonstrável através de evidências observacionais e por experiências válidas, ainda que não aceitas pelo establishment científico oficial.

2) A existência dos fenômenos paranormais, também abundantemente demonstrada por via observacional e experimental.

3) Uma vez registrados os fenômenos, a Psicobiofísica classifica-os em algumas ou em todas as três categorias adiante enumeradas: psíquica, biológica e física. Depois, partindo dos fatos observados, tenta explicá-los e descobrir as leis que os regem.

4) Ao contrário da moderna Parapsicologia ortodoxa, a Psicobiofísica aceita, a priori, a existência, a sobrevivência do Espírito após a morte e a reencarnação, com base nas abundantes evidências a favor dessas teses. Como consequência, o Espírito é considerado como constituído de outra espécie de matéria, ingressando-se, desse modo, no domínio da Física. Admite-se, também, a interação entre as duas categorias de matéria, a física (por nós já conhecida) e a espiritual. Esta última, embora ainda careça de um conhecimento direto, poderá ser, futuramente, pesquisada por processos indiretos, semelhantes aos usados pela Física quântica.

EXEMPLO DE INTERPRETAÇÃO DE OCORRÊNCIA PARANORMAL, BASEADA NO PARADIGMA VIGENTE

Por ocasião de um pequeno simpósio ocorrido em 1986, na Suíça, o famoso parapsicólogo alemão, já falecido, professor dr. Hans Bender, relatou o seguinte fato registrado no Instituto de Parapsicologia por ele fundado em Freiburg-im-Breisgau:

"Um correspondente do citado instituto informou que, durante a II Guerra Mundial, achava-se ele ocupado em acertar uma cerca-viva existente num sítio de sua propriedade. Naquela ocasião, achava-se no front um de seus amigos. Um pequeno cachorro acompanhava o referido correspondente, enquanto de estava arrumando a tal cerca-viva. Em um dado momento, o cachorrinho pôs-se a latir freneticamente em direção a algumas árvores do pequeno bosque situado defronte à cerca. O dono do sítio olhou imediatamente para a direção em que o pequeno animal parecia notar algo estranho. Naquele instante, ele viu surgir dali o seu amigo, que ele acreditava achar-se ainda no front. O militar caminhou em sua direção e ele, por sua vez, largando a ferramenta que estava a usar, partiu em direção ao amigo recém-chegado, a fim de cumprimentá-lo. Ao estender-lhe a mão o visitante desapareceu! Surpreendido com o fato, ele procurou anotar imediatamente a data e a hora da ocorrência. Voltando à cidade, procurou informar-se acerca de seu amigo. As autoridades militares comunicaram-lhe que o referido soldado houvera sido ferido e morto exatamente no dia e hora em que fora visto pelo dono do sítio!

Naquele simpósio, Hans Bender mencionou duas explicações para o caso: a espirítica e a anímica. Ele descartou a primeira, alegando que não conhecia, até então, nenhuma evidência experimental que desse certeza da existência do Espírito. A segunda hipótese, reducionista, seria a da percepção extra-sensorial (ESP), que incluía a telepatia. Esta, alegou ele, já havia sido demonstrada experimentalmente, reiteradas vezes, em laboratório. Portanto, deveria ser preferida como base segura de apoio a uma explicação científica. Eis a explicação:

"A comunicação telepática entre pessoas, bem como entre os animais domésticos e o homem, já está demonstrada experimentalmente. Na ocasião em que o militar foi ferido, ele pensou intensamente no seu amigo (o dono do sítio). Este recebeu o telepatema em seu inconsciente e o retransmitiu ao cachorro que estava a seu lado. Naquele instante, sob a influência da emoção do telepatema, o animal pôs-se a latir olhando ocasionalmente para as árvores. Ao observar o fato, o dono olhou para o mesmo lado que o cachorro. Nesse momento o telepatema atingiu seu consciente, fazendo-o lembrar-se intensamente do amigo que agonizava no front. Foi o quanto bastou para alucinar-se, tendo uma visão do militar caminhando em sua direção. Ao tentar cumprimentá-lo, desfez-se a ilusão, dando-lhe a impressão de haver desaparecido repentinamente!" (Keller, 1986, pp. 215-244).
Muito simples a explicação...

Este e inúmeros outros fatos paranormais são ajustados, assim, ao leito de Procusto, das hipóteses reducionistas que partem do postulado da não existência do Espírito.

HÁ EVIDÊNCIAS DA EXISTÊNCIA DO ESPÍRITO?

Pensamos que sim. O que nos parece sem demonstração alguma são exatamente as evidências da inexistência do Espírito.

Na realidade, o que pode observar-se a cada episódio é a sistemática rejeição da explicação espirítica, considerada, a priori e sem nenhuma justificação rigorosamente científica, como definitivamente descartável. Além disso, há um enquadramento prévio, também injustificado, dos fatos na categoria psíquica.
Daí as "explicações" esdrúxulas e "procustianas" como a do caso anteriormente citado.

Como se explicariam, então, os 1.200 casos do professor Hemendra Nath Banerjee (1931-1985) e os 2.600 casos do professor dr. Ian Stevenson, que sugerem fortemente tratar-se de ocorrências de reencarnação? Como ficariam as evidências das milhares de curas obtidas graças às terapias de vidas passadas? Vamos ajustá-las todas, uma por uma, à desgastada suposição de fraude, ou metê-las no leito de Procusta do reducionismo? Seriam só fenômenos da mente, ou estariam aí implicados outros fatores além dos psíquicos?

Como se explicam as ectoplasmias de Kate King obtidas graças à mediunidade de Florence Cook? William Crookes ter-se-ia deixado enganar, como sugerem capciosamente alguns críticos? (Amadou, 1966, pp. 45-54).

Igualmente sem explicação satisfatória ficarão os casos de Poltergeist como o do Paraguai, em que as ações físicas observadas contrariam o princípio universal da conservação da energia, se encaradas pelo prisma da Parapsicologia dita ortodoxa (Goldstein, 1997). Nesse Poltergeist, além de atividades físicas contínuas e de grande dispêndio de energia, houve o aporte de um jipe Toyota, inteiramente carregado de mercadoria, pesando cerca de 2.500 kg, à distância de 40 metros e em aclive. O impacto do veículo, contra um dos esteios do armazém com que ele se chocou, foi suficiente para entortar profundamente o pára-choque do jipe.

Pois bem, não houve nenhum sinal que revelasse quem teria funcionado como epicentro!

Pedimos licença para encerrar, neste ponto, esta nossa palestra. Não queremos roubar-lhes mais tempo, pois achamos melhor ouvirmos logo a exposição do trabalho da profa. Sônia Maria Marafiotti Gomes. Essa importante pesquisa já é um produto da aplicação dos princípios da Psicobiofísica na investigação de fatos ditos paranormais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AMADOU, Robert (1966). Os Grandes Médiuns, trad. Horvanir

Alcântara Silveira; São Paulo: Loyola. GOLDSTEIN, K. W. (1997). Poltergeist Ainda Um Mistério? Folha Espírita, n. 278, maio de 1997. KELLER, Carl A. (1986). La Reincarnation, Theories, Raisonements et Appreciations. Liebefeld/ Berne: Peter Lang.

Hernâni Guimarães Andrade * Engenheiro formado pela Escola Politécnica da USP, pesquisador de assuntos paranormais, fundador e diretor presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobioflsicas (IBPP), autor de várias obras de cunho científico.
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