sábado, 11 de janeiro de 2014

Depressão doença da alma


Atualmente atravessamos um período onde se busca desesperadamente a obtenção do autocontrole que é uma capacidade para suportar o turbilhão emocional que a vida cotidiana nos impõe. Por outro lado, viver sem emoção seria viver num deserto de neutralidades, isolados e desprovidos das maravilhas da própria vida.
O objetivo da nossa busca deve ser o equilíbrio (ou quanto mais próximo pudermos chegar) e não a supressão das emoções pois cada sentimento tem seu valor e significado. Como observou Aristóteles o que é necessário é a emoção na dose certa: "qualquer um pode zangar-se, isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na hora certa, pelo motivo certo e de maneira certa não é fácil".
O sentimento deve ser proporcional ou adequado a circunstância e quando as emoções são sufocadas geram um embotamento e frieza e quando fogem do nosso controle rumo ao extremo, tornam-se patológicas, onde ocorrem a depressão que paralisa, a ansiedade que aniquila, a raiva que desestrutura e a agitação gerando manias. Manter o controle das emoções é fundamental para o nosso bem estar, mas os altos e baixos que ocorrem são importantes em nossa vida, pois dão um certo tempero nos convidando a reflexão e mudanças.
E quando estivermos em "baixa" não demorar nesta fase, muito menos nos permitir aos excessos da preocupação, que é a essência do efeito prejudicial da ansiedade, ou seja, a preocupação é o núcleo de toda a ansiedade. A preocupação é um estado de vigilância para se detectar um perigo, algo que nos ameaça, ela é a antecipação da ocorrência de um fato desagradável buscando soluções positivas para prevenir algo.
O maior problema é a preocupação excessiva, que são aquelas que se repetem sempre e nunca são resolvidas. Essas preocupações são geralmente incontroláveis, geram na maioria das vezes a ansiedade são imunes à razão (a pessoa se sente algemada, não vê saídas), quando as preocupações são intensivas e persistentes geram: fobias, obsessões, compulsões, ataques de pânico e para cada uma dessas perturbações, existe um foco que é sentido ou temido de maneira diferente.
A ansiedade pode ser cognitiva com preocupações e somática com sintomas: sudorese taquicardia, tensão muscular, etc... A maioria das pessoas preocupadas não conseguem se desligar, não conseguem parar de pensar, preocupam-se com muitas coisas, a maioria delas não tem a menor possibilidade de acontecer, vêem perigos diariamente. Muitas pessoas adquirem o hábito de preocupar-se e isso pode ocorrer a partir da infância, existem crianças extremamente preocupadas, sem um motivo aparente e isso dentro de uma formação de estrutura de personalidade é muito negativo e deve ser cuidado, deve se buscar a causa para poder auxiliar esta criança, para que não desenvolva no futuro síndrome de pânico, fobias, compulsões, e etc..
As preocupações excessivas geram ansiedade e os ansiosos tem mais probabilidade de falhar pois sabotam as potencialidades que determinam a autoconfiança. Por isso vemos estudantes de cursinho que no decorrer do ano vão bem, aprendem e guardam na memória 90 por cento das informações obtidas, só que no momento do vestibular entram em um grau de ansiedade tão alto (devido a preocupação de não conseguir passar e entrar na universidade), que encobre a auto confiança, a clareza do raciocínio e da memória que são fundamentais para um resultado eficaz.
A ansiedade é causada pelas pressões do dia a dia no trabalho, no estudo, na família, na sociedade e etc... com que cada um viva sobre uma grande tensão. Os repetidos ataques de ansiedade indicam alto grau de estresse ( o estresse é a incapacidade de desenvolver uma resposta adequada ao que está acontecendo) A maior causa do estresse é o excesso de pensamentos. Nós pensamos mais ou menos trinta mil pensamentos por dia entre idéias, imagens, flashes, lembranças, e etc... e grande parte desses pensamentos não é útil, é apenas o excesso, exemplo: pensamos dez vezes para resolver apenas uma coisa.
Enfim, o que nos tira a capacidade de enfrentar as coisas que vem de fora é a pressão que criamos internamente pelos excessos de pensamentos inúteis. Estudos científicos provam que as pessoas adoecem com mais frequência quando estão estressadas, pois o estresse desencadeia a ansiedade, e depressão, dores crônicas, enxaquecas, hipertensão e problemas cardíacos, porque reduz a resistência imunológica. O estresse psicológico se lastra com facilidade porque as defesas ficam frágeis, as pessoas perdem horas de sono, fumam e bebem em excesso e até buscam fazer uso de tranquilizantes como forma para relaxar, sem obter êxito pois a causa não foi solucionada.
E quanto mais distanciarmos da solução mais angustiados vamos nos sentir e essa situação pode crescer para um quadro sutil de depressão, apresentando dificuldades para se concentrar, a auto estima é reduzida, desenvolve sentimentos de culpa, sensação de cansaço, tristeza, alteração do apetite e perturbação do sono, esses sintomas podem ou não se aprofundar. A depressão propriamente dita se apresenta através de vários sintomas: o mal humor permanente, irritabilidade, fadiga, apatida, perda do prazer pela vida, tristeza profunda, perda ou aumento excessivo de apetite e etc...
Enfim a depressão é desencadeada por: fatores genéticos, hormonais, familiares, neuropsíquicos, psicológicos, etc.. É tratável e respondem muito bem a psicofarmacoterapia, a psicoterapia e a fluidoterapia (passes espirituais). Sabemos que o homem deve ser visto de forma integral: biológico, psicológico, social e espiritual, portanto, ser tratado também sobre essa ótica, pois só assim a terapêutica obterá sucesso, pois o desequilíbrio emocional reflete sobre o espírito e esse em desequilíbrio atrai energias negativas decorrentes da afinidades, por isso o homem não deve ser tratado somente como mente e corpo e sim mente, corpo e espírito para que haja uma integração entre essas três forças importantes para obter o progresso.
Michael Liebowitz (diretor da clínica de ansiedade do instituto psiquiátrico do estado de Nova York diz que o indivíduo tem que diferenciar entre a preocupação que lapida e a preocupação patológica, que preocupar-se é positivo quando ajuda a resolver os problemas reais e totalmente inútil quando funciona como um peão, girando em torno do eixo sem chegar a lugar nenhum.
Sócrates e Platão estabeleceram que o homem era o resultado do Ser (o espírito imortal) e do não Ser (ou sua matéria) que, unidos lhe facultavam o processo de evolução. O espiritismo, por sua vez, sintetiza diversas correntes de pensamentos psicológico e estudando o homem na sua condição de espírito eterno, apresenta a proposta de um comportamento filosófico, idealista, imortalista, auxiliando-o na equação dos seus problemas, sem violência e com base na reencarnação, apontando-lhe os rumos felizes que deve seguir.
Jornal Espirita
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