quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Espiritismo Visão da Assistência Social



Espiritismo Visão da Assistência Social
Victor Manuel Pereira de Passos

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceitos. 3. Citações.4.Historial.5.Centro Espírita na Assistência Social: 6. Conclusão. 7. Bibliografia Consultada.

1-INTRODUÇÃO

Este trabalho tem como objetivo, alertar os espíritas para a essência da assistência social e a sua inclusão através dos princípios espiritas dentro e fora do Centro Espirita. E dos valores da defender, de forma a proporcionar o bem, mas sem aniquilar o Ser integral, nas suas obrigações, para com os valores doutrinários.

2. CONCEITOS

Assistência – do lat. Assistentia. Ato ou efeito de assistir a alguma coisa. Fazer aos outros aquilo que desejaríamos para nós em circunstâncias iguais.
Assistência Social – É uma função de político-social com o sentido de dar provimento às necessidades básicas dos indivíduos, mais rigorosamente em prol da família, maternidade, infância, adolescência, velhice, o amparo às crianças e aos adolescentes carentes, promoção da inclusão seja no mercado de trabalho e na vivência com a sociedade, na preparação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência , doenças do foro crónico e a promoção de sua integração à vida comunitária.
As prestações de assistência social são destinadas aos indivíduos sem condições de prover o próprio sustento de forma constante ou temporária, Este processo envolve toda a Comunidade desde dos políticos aos voluntários.
Voluntário – Segundo definição das Nações Unidas, “o voluntário é o jovem ou o adulto que, devido a seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico, dedica parte de seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de atividades, organizadas ou não, de bem-estar social, ou outros campos...”

• Voluntariado

( art.º 2.º da Lei n.º 71/98, de 3 de Novembro)

É o conjunto de ações de interesse social e comunitário, realizadas de forma desinteressada por pessoas, no âmbito de projetos, programas e outras formas de intervenção ao serviço dos indivíduos, das famílias e da comunidade, desenvolvidos sem fins lucrativos por entidades públicas ou privadas.
Não são abrangidas pela presente Lei as atuações que, embora desinteressadas, tenham um carácter isolado e esporádico ou sejam determinadas por razões familiares, de amizade e de boa vizinhança.

• ENCONTRA-SE ao serviço das pessoas, das famílias e das comunidades, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e do bem estar das populações.

• EFETUA-SE por um conjunto de ações de interesse social e comunitário, praticadas de forma desapegada, revelando o trabalho voluntário.

• ALARGA-SE através de projetos e roteiros de entidades públicas e privadas com condições para integrar voluntários, abrangendo as entidades promotoras.

• POR INERÊNCIA uma decisão livre e voluntária sustentada em motivações e escolhas pessoais que descrevem o voluntário.
Na condição Espirita” dar de graça o que de graça se recebe”, isto sem olhar a quem…

3. CITAÇÕES

"Exige muito de ti e espera pouco dos outros. Assim, evitarás muitos aborrecimentos.” Confúcio

"Deviam parar com a demagogia sobre as massas. As massas são rudes, sem preparação, ignorantes, perniciosas em suas reivindicações e influências. Não precisam de lisonjas mas de instrução” Ralph Emerson
"Nada há de mais belo e legítimo do que o homem fazer o bem e como deve ser, nem ciência tão difícil do que saber viver esta vida bem e naturalmente; e, de todas as nossas doenças, a mais terrível é desprezar o próprio ser.” Michel de Montaigne

4. HISTÓRIAL

Na antiguidade não existiam refúgios para dar apoio a crianças e idosos. No entanto por exemplo segundo dados históricos os Cro-Magnon tinham uma vida social que apresentava sintomas bastante significativos de organização.
A sua fixação e permanência nas cavernas, embora não fosse definitiva, pois suas atividades ainda eram a caça e a pesca, eram prolongadas de tal modo a lhes dar condições de esquematizar os princípios básicos de uma comunidade. Dividiam o trabalho.
A caça era um objetivo comum e a sua partilha entre os membros do grupo era obrigatória. Este "cooperativismo" era, em grande parte, motivado pelas próprias circunstâncias geoeconómicas em que viviam: os animais eram, em sua maior parte, de grande tamanho e difíceis de serem caçados por um homem sozinho. Caçavam juntos, enfrentando os mesmo perigos mas, em cerimônias festivas, faziam também a partilha coletiva. Porque temos que ter em conta a assistência social, não é só dar a quem precisa, mas toda uma conjuntura que nos obriga a aprender a estar em comunidade e partilhar as fragilidades para as melhor combater.
Os Egípcios, os Hindus (na pessoa de Buda) e os Chineses (pela influência de Confúcio) além de venerar seus mortos, já ensinavam por parábolas, a tolerância, a igualdade , bondade e lealdade para conseguirem almejar um objetivo supremo. Já se formavam castas, tribos, clãs e seitas com sua organização , mesmo que aboleta, mas já lhe sentiam a necessidade de colaboração..
Após implantação do Cristianismo como religião legal, os povos do pretérito começaram a elaborar instituições de assistência com caráter burocrático e constante. Com Jesus Cristo a assistência refulge em cada momento, tal vemos em epígrafe no Evangelho, circunscrevendo o tríplice espaço da sintonia universalizada;
• Estendeu a sua Humanidade, ao homem, não tinha limites, nem projetava diferenças: servos, adversários e perseguidos todos eram vistos de igual forma.
• Ele foi mais longe do que a estância superficial, atendeu todas as carências morais e espirituais, referindo-se constantemente ao corpo e a alma;
• Supera o conceito de todas as instituições, acrescentando o conceito de justiça, fraternidade e amor.
O Evangelho de Jesus mostra-nos o verdadeiro sentido da caridade e sublimidade do conceito de amor ao próximo, conforme se conclui dos seus ensinos:
• O Bom Samaritano (Lucas X: 25-37);
• “Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei também a eles...” (Mateus VII:12);
• “Tratai todos os homens como quereríeis que eles vos tratassem.” (Lucas VI:31);
• O que é necessário para salvar-se (Mateus XXV:31-46);
• O amar aos inimigos (Mateus V:43-47; Lucas VI:32-36).

A evolução Industrial, a capitalização dos interesses materiais, a soberba do poder, da corrupção veio projetar muitos desafios que até ali não haviam existido. A alienação do conceito de vida, excessos e desafios constantes pela autoridade Mundial, traz na globalização o preço da luxúria lúgubre onde os pobres ficam mais pobres e os ricos vivem o seu apogeu desmedido.
Essa projeção imperial apenas veio trazer descontrole e estamos a colher os frutos amargos, o progresso trazia a faca de dois gumes e a automatização que barateia os custos de mão de obra, mata os empregos e várias áreas de afazeres foram se diluindo, o desemprego, a miséria, fome e doença começou a retratar-se no quotidiano e a desigualdade por muito que se tente está aí bem presente. Os Países em recessão, por incúria, por abusos, levam a que a violência aumente, e que a estruturas de sociais comecem a ficar lotadas. Logo a necessidade de maior solidariedade entre as Comunidades, daí o papel importante dos voluntários, mas também da sociedade civil, governo e o grosso do poderio Mundial ter que criar acessibilidades, num conceito de sustentabilidade de processos, para poder ajudar os mais carentes.
Os ricos têm que apoiar os pobres, e urge criar uma mentalização de que é necessária educação, formação, mas dentro dos valores do amor, da moral e do respeito pelos valores do outro.
O Espiritismo, tem aqui uma tarefa, não para substituir Instituições Sociais mas para lhes acrescentar os valores espirituais, não é dar o pão apenas, mas ensinar a importância de aprender o valor do fermento pela busca constante de meios para que não se caía no marasmo , ou na ociosidade, mas exaltando à responsabilidade de todos discípulos do princípio “Fora da Caridade não há Salvação”, isto sem olhar a quem, e sem que se permita que os outros credos possam ser entrave, porque quando se trata de ajudar, os rótulos religiosos não tem valor, mas sim a essência do amor pelo próximo.
Entendo que todos tem algo para partilhar, o medico, o carpinteiro, o trolha o eletricista, o mecânico, o padeiro o varredor, o professor, o aluno, o Pai,a Mãe….
Adolfo Bezerra de Menezes , Sousa Martins, Eurípedes Barsanulfo , Anália Franco , António Gonçalves da Silva “Batuíra”, são exemplos de amor e partilha, e o desafio aos Espiritas é dar continuidade partilhando com sem olhar a quem… Se nós oferecermos o que temos de bom, e o outro Irmão fizer o mesmo doando a ocupação do que alguém tem em falta estará a contribuir, para a grandeza humana tal como Jesus nos ensinou e que sublimou as praças , as ruas , as casas, com seu amor , com sua postura moral. O melhor lucro que podemos ter com a nossa experiência partilhada é a de despir a pena e de aprender mais e ser mais solidários.

5. CENTRO ESPIRITA NA ASSISTÊNCIA SOCIAL

A ação espírita a ser desenvolvida pelos Centros espíritas: a unificação, estudo doutrinário ensino dos médiuns e a caridade.
O Centro Espírita é o consignatário dos princípios da Doutrina Espírita e não se pode despegar da sua pureza, afim de não colocar o Espiritismo na voz do fogo do descalabro vicioso como aconteceu com outros credos.
Bezerra de Menezes propôs - nos: "É indispensável manter o Espiritismo, qual foi entregue pelos Mensageiros Divinos a Allan Kardec, sem compro¬missos políticos, sem profissionalismo religioso, sem personalismos deprimentes, sem pruridos de conquista a poderes terrestres transitórios" (psicografia de Chico Xavier, "Reformador" de dez. de 1975).
A solução da questão social, diz Kardec, está toda no melhoramento moral dos indivíduos e das massas. Não é o Espiritismo que cria a renovação social, mas o amadurecimento da humanidade que fará disso uma necessidade, escreveu ele em "A Gênese" (cap. XVIII, item 25).
Em "O Livro dos Médiuns", cap. XXIX, item 350, Kardec escreveu: "Se o Espiritismo deve, assim como foi anun¬ciado, trazer a transformação da Humanidade, isto pode ser apenas pelo melhoramento das massas, o que pode acontecer gradualmente e pouco a pouco, apenas pelo melhoramento dos indivíduos".
E posteriormente, no mesmo item, o Codificador sugere: "É para o fim providencial que devem tender todas as sociedades espíritas sérias, agrupando ao seu redor to¬dos os que possuem os mesmos sentimentos; então haverá entre elas união, simpatia e fraternidade e não um vão e pue¬ril antagonismo de amor-próprio, de palavras antes que de fatos; então elas serão fortes e poderosas, porque se apoiarão numa base indestrutível: o bem para todos".

6- CONCLUSÃO

Ao Centro Espírita cabe na sociedade a função de preparar o homem espírita como motor de transformação. A ideia de Deus está mais próxima, o sentido real da vida material, é por nós entendida, porém urge fazer proliferar o sentido de real do espiritismo como voz da esperança na vida futura e da morte da inoportunidade pela mão da reencarnação.
O materialismo e seu consulente, o egoísmo, vício mais corrosivo e a causa de todas as enfermidades da sociedade, devem ser denunciados pela divulgação da Doutrina Espí¬rita e pelo exemplo dos seus seguidores. É importante o papel do Centro Espírita na aproximação da Família, na educação dos seus membros e a mesma projeção social para todas áreas da comunidade.
A ação social espírita tem de se fundamentar no voluntariado no apoio aos carenciados, apoio espiritual nas suas vertentes, orientando, para vida ativa e não para a passividade.
A missão principal do Espiritismo é o apelo à “transformação da humanidade pela melhoria das massas por meio do gradual aperfeiçoamento dos indivíduos”, todo o auxílio feito ao próximo deve ser acionado dentro de um plano que tenha por objetivo o reequilíbrio moral; a reintegração social e a educação espiritual.

7. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

O Evangelho segundo o Espiritismo. A. Kardec.
O Livro dos Espíritos. A. Kardec.
O Livro dos Médiuns de A. Kardec
A Génese de Allan Kardec
Conduta Espírita. VIEIRA, Waldo.
www.espirito.com.br. Manual de Apoio para as Atividades do Serviço de Assistência e Promoção Social Espírita, da FEB.
Decreto de Lei (art.º 2.º da Lei n.º 71/98, de 3 de Novembro)
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