segunda-feira, 21 de junho de 2010

ESTADO DE COMA – Momento de maior liberdade do Espírito



A propósito das Experiências de Quase Morte nos Estados de Coma

COMA. Podemos definir o coma como uma síndrome ou estado caracterizado pela perda da consciência, da sensibilidade e da motilidade voluntária, com persistência da respiração e da circulação.

Assim, o corpo físico de uma pessoa em coma não é capaz de perceber os estímulos internos e externos e de reagir a esses estímulos apreendidos... Mas, espiritualmente, o indivíduo seria capaz de perceber o que acontece em seu redor ? O Espírito ficaria preso ao corpo ou comportar-se-ia como no sono, em que “viaja” para outras dimensões ? É o que estudaremos a seguir...

Pesquisas sobre as experiências de pessoas às portas da morte. Embora o pioneirismo das pesquisas das experiências de pessoas que tiveram morte clínica e que depois voltaram a viver, isto é, as pesquisas de experiências de quase morte (EQM) ou na versão americana: near death experience (NDE) caiba, indubitavelmente, à psiquiatra suíça Dra. ELISABETH KÜBLER - ROSS, radicada nos EUA, foi através da publicação do livro do médico americano Dr. RAYMOND A . MOODY JR., que o assunto ganhou interesse internacional, pois o livro Vida Depois da Vida foi um best-seller mundial.

- Resumo do livro Vida Depois da Vida. O Dr. RAYMOND A . MOODY JR. era de família da Igreja Presbiteriana e ele, “em termos de organização", era membro da Igreja Metodista. Freqüentou os Cursos de pós-graduação em Filosofia da Universidade de Virgínia nos EUA, recebendo doutoramento em 1969. Depois de ensinar Filosofia por três anos, decidiu fazer Medicina e quando escreveu o livro Vida depois da Vida (Life after Life) pretendia tornar-se psiquiatra e ensinar Filosofia da Medicina em uma escola de Ciências Médicas.

Publicado em 1975, o livro Vida depois da Vida não pretendia provar que existe vida depois da morte, contudo, como veremos, o livro é mais um argumento a favor de prova da imortalidade e individualidade da alma depois da morte... O livro foi prefaciado pela Dra. ELISABETH KÜBLER – ROSS.
Portanto, dois médicos pesquisadores confirmam que pacientes em coma “continuam a ter informação consciente de seu ambiente, depois de terem sido declarados clinicamente mortos”. Como os materialistas explicariam a vida de relação persistir no momento do coma ?... Eis uma das descrições de um médico na pesquisa do Dr. MOODY:

“Uma paciente minha teve uma parada cardíaca diante do cirurgião que ia operá-la. Eu
também estava presente e observei suas pupilas se dilatarem. Tentamos ressuscitá-la durante algum tempo, mas não estávamos tendo nenhum êxito, e aí pensei que ela estava perdida. Disse ao outro médico que estava trabalhando comigo: ‘Vamos tentar mais uma vez e depois desistimos’. Dessa vez conseguimos fazer o coração bater e ela voltou a si. Mais tarde perguntei o que ela lembrava da sua ‘morte’. Ela disse que não lembrava muito, exceto me ouvir dizer: ‘Vamos tentar mais uma vez e depois desistimos’”.(RAYMOND A . MOODY JR. Vida depois da Vida. 9 ed., nórdica, Rio de Janeiro, 1984, p. 33).

Embora o estudo inicial do Dr. MOODY contasse um número relativamente pequeno, pois dos cento e cinqüenta casos, ele utilizou em torno de 50(cinqüenta) de primeira mão, isto é, entrevistados por ele; a concordância dos relatos das pessoas que passaram pela experiência de quase morte (EQM) foi verdadeiramente impressionante...

Prosseguindo, o Dr. MOODY ampliou o seu trabalho e foram publicados outros livros de sua autoria. Como existiam críticas quanto ao número, relativamente, reduzido de casos iniciais por ele estudados, no livro A Luz do Além essa questão foi definitivamente ultrapassada. Diz o autor:

“O pesquisador de opinião pública George Gallup Jr. descobriu que oito milhões de adultos nos Estados Unidos tinham tido uma EQM. Isso equivale a uma pessoa em cada grupo de vinte.

Ele conseguiu analisar o conteúdo dessas experiências, mediante uma investigação dos seus elementos. eis o que descobriu:

Esta pesquisa comprovou, claramente, que as EQM são muito mais comuns na sociedade do que qualquer um de nós, pesquisadores, poderia imaginar.” (RAYMOND A . MOODY JR. A Luz do Além. Nordica e Círculo do Livro, Rio de Janeiro, 1995, p. 15-16).

Indubitáveis os achados do Dr. MOODY, ratificados pela pesquisa GALLUP...

Em nenhum momento o autor faz referência à Doutrina dos Espíritos, codificada por
ALLAN KARDEC; contudo, podemos demonstrar que todas as vivências exibidas pelos pacientes que sofreram EQM, descritas acima, são concordantes com a Doutrina dos Espíritos. Destacamos que não há a menor referência a “colônias espirituais” tão destacadas pelo Espiritismo brasileiro, aliás com um certo patriotismo... Destacamos, também, que as vivências de pacientes com EQM eram formalmente idênticas, apesar da diversidade de seus credos...

Hipóteses como liberação de substâncias químicas no momento da agonia, fantasias, alucinações, etc..., nada explicam diante da concordância impressionante dos relatos, tanto nas EQM quanto na Codificação realizada por KARDEC a partir de 1857, embora personalíssimos...

Que diz a Doutrina dos Espíritos sobre o COMA ? A Doutrina dos Espíritos não fala, especificamente, sobre o coma; no entanto, podemos inferir o que acontece com o Espírito no coma, através das respostas às questões 422, 423 e 424 de O Livro dos Espíritos de ALLAN KARDEC (a respeito de letargia e morte aparente) e do comentário de KARDEC em seguida, que assim se inicia: “A letargia e a catalepsia têm o mesmo princípio que é a perda momentânea da sensibilidade e do movimento(...)”. Portanto, se no sono e na letargia a alma não fica presa ao corpo, a fortiori não ficará presa no coma, até porque “(...) o Espírito jamais fica inativo” (cf. resposta à questão 401 de O Livro dos Espíritos).

O Espírito de uma pessoa NÃO FICA PRESO AO CORPO no coma, pois neste só funciona a vida vegetativa e nesse estado o corpo só precisa do Espírito para mantê-lo vivo; o Espírito “preso ao corpo” ficaria inativo, sem condições instrumentais para evoluir. Por isso, acreditamos doutrinariamente que no coma o Espírito estará em outras dimensões, sem estar adstrito ao corpo, em situação semelhante ao de uma pessoa dormindo.
Enfim caríssimo colega CARLOS EUGÊNIO, coma e sono constituem momentos de maior liberdade do Espírito, ainda cativo no corpo: no sono ela será por tempo maior, pois ocorre durante toda a nossa existência terrena e no coma, somente enquanto este dura... A imortalidade e individualidade da alma após a morte podem ser provadas, cientificamente, por via mediúnica (pela Codificação kardequiana) e as outras duas vias de pesquisa ratificam-na. Através de fatos patentes é provado o que na Índia milenar e na Teosofia concluía-se através da fé e da experiência mística.

Texto: Dr. Iso Jorge Teixeira
Texto publicado no "Jornal de Espiritismo" e oferecido por um membro da AME Porto
que é responsável pelo espaço jornalístico da coluna "Medicina e Espiritualidade"
Postar um comentário