quinta-feira, 6 de maio de 2010

OBSESSÃO




Fenômeno Espírita: "Obsessão": A obsessão é a ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito diversos, desde a simples influência moral, sem perceptíveis sinais exteriores, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais (...) Quase sempre, a obsessão exprime vingança que um Espírito tira e que com frequência se radica nas relações que o obsediado manteve com ele em precedente existência.
Obsessão - do latim: obsessione: impertinência, perseguição, vexação; preocupação com determinada idéia que domina doentiamente o espírito, e resultante ou não de sentimentos recalcados; idéia fixa; mania.
Reconhece-se a obsessão pelas seguintes características:
1 - Persistência de um Espírito em se comunicar, bom ou mau grado, pela escrita, pela audição, pela tiptologia, etc. opondo-se a que outros Espíritos o façam;
2 - Ilusão que, não obstante a inteligência do médium, o impede de reconhecer a falsidade e o ridículo das comunicações que recebe;
3 - Crença na infabilidade e na identidade absoluta dos Espíritos que se comunicam e que, sob nomes respeitados e venerados; dizem coisas falsas ou absurdas;
4 - Confiança do médium nos elogios que lhe dispensam os Espíritos que por ele se comunicam;
5 - Disposição para se afastar das pessoas que podem emitir opiniões aproveitáveis;
6 - Tomar a mal a crítica das comunicações que recebe;
7 - Necessidade incessante e inoportuna de escrever;
8 - Constrangimento físico qualquer, dominando-lhe a vontade de forçando-o a agir ou falar a seu mau grado;
9 - Rumores e desordens persistentes ao redor do médium, sendo ele de tudo a causa ou o objeto.
OBSESSÃO DE DESENCARNADO PARA DESENCARNADO: Espíritos que obsidiam Espíritos. Desencarnados que dominam outros desencarnados, são expressões de um mesmo drama que se desenrola tanto na Terra quanto no Plano Espiritual Inferior.
OBSESSÃO DE DESENCARNADO PARA ENCARNADO: É a atuação maléfica de um Espírito sobre um encarnado.
OBSESSÃO DE ENCARNADO PARA DESENCARNADO: Ninguém se lembra desse estranho e aparentemente paradoxal tipo de obsessão, em que os "vivos" do mundo envolvem os "mortos" na teia dos seus pensamentos desequilibrados e enfermiços, exercendo sobre os que já partiram para o Além terrível e complexa obsessão. A primeira vista, a obsessão do encarnado sobre o desencarnado pode parecer difícil ou mais raras de acontecer. Mas, ao contrário, é fato comum, já que as criaturas humanas, em geral por desconhecimento, vinculam-se obstinadamente aos entes amados que as precederam no túmulo.
OBSESSÃO DE ENCARNADO PARA ENCARNADO: (..) pessoas obsidiando pessoas existem em grande número. Estão entre nós. Caracterizam-se pela capacidade que têm de dominar mentalmente aqueles que elegem como vítimas. Este domínio mascara-se com os nomes de ciúme, inveja, paixão, desejo de poder, orgulho, ódio, e é exercido, às vezes, de maneira tão sutil que o dominado se julga extremamente amado. Até mesmo protegido. Essas obsessões correm por conta de um amor que se torna tiranizante, demasiadamen-te possessivo, tolhendo e sufocando a liberdade do outro.
OBSESSÃO INFANTIL: Influências prejudiciais podem atingir, também, mentes infantis, levando-as, algumas vezes, ao desajuste. O Espritismo elucida tais ocorrências em explicação lógica: a criança que temos, hoje, diante de nós, foi adulta ontem em experiências anteriores, quando o seu Espírito, utilizando mal o livre-arbítrio, terá cometido delitos cujas consequências se manifestam, agora, com o corpo físico ainda em desenvolvimento.
OBSESSÃO RECÍPROCA: (..) Dá-se quando as criaturas se procuram para locupletar-se das vibrações que permutam e nas quais se comprazem (..) Essa característica de reciprocidade transforma-se em verdadeira simbiose, quando dois seres passam a viver em regime de comunhão de pensamentos e vibrações (..) São as paixões avassaladoras que tornam os seres totalmente cegos a quaisquer outros acontecimentos e interesses, fechando-se ambos num egoísmo a dois, altamente perturbador (..)
OBSESSÃO SIMPLES: Dá-se a obsessão simples, quando um Espírito malfazejo se impõe a um médium, se imiscui, a seu mau grado nas comunicações que ele recebe, o impede de se comunicar com os outros Espíritos e se apresenta em lugar dos que são evocados (..) Na obsessão simples, o médium sabe muito bem que se acha presa de um Espírito mentiroso e este não se disfarça; de nenhuma forma dissimula suas más intenções e o seu propósito de contrariar. O médium reconhece sem dificuldade a felonia e como se mantém em guarda, raramente é enganado. Este gênero de obsessão é, portanto, apenas desagradável e não tem outro inconveniente, além do de opor obstáculo às comunicações que se desejara receber de Espíritos sérios, ou dos afeiçoados.
O LIVRO DOS MÉDIUNS - ALLAN KARDEC - 2ª. PARTE - CAP. XXIII
No número das dificuldades que a prática do Espiritismo apresenta é necessário colocar a da obsessão em primeira linha. Trata-se do domínio que alguns Espíritos podem adquirir sobre certas pessoas. São sempre os Espíritos inferiores que procuram dominar, pois os bons não exercem nenhum constrangimento. Os bons aconselham, combatem a influência dos maus e, se não os escutam, preferem retirar-se. Os maus, pelo contrário, agarram-se aos que conseguem prender. Se chegam a dominar alguém, identificam-se com o Espírito da vítima e a conduzem como se faz com uma criança. A obsessão apresenta características diversas que precisamos distinguir com precisão, resultantes do grau do constrangimento e da natureza dos efeitos que este produz. A palavra obsessão é, portanto, um termo genérico pelo qual se designa o conjunto desses fenômenos, cujas principais variedades são: a obsessão simples, a fascinação e a subjugação.
A obsessão simples verifica-se quando um Espírito malfazejo se impõe a um médium, intromete-se contra a sua vontade nas comunicações que ele recebe, o impede de se comunicar com outros Espíritos e substitui os que são evocados. Não se está obsedado pelo simples fato de ser enganado por um Espírito mentiroso, pois o melhor médium está sujeito a isso, sobretudo no início, quando ainda lhe falta a experiência necessária, como entre nós as pessoas mais honestas podem ser enganadas por trapaceiros. Pode-se, pois, ser enganado sem ser obsedado. A obsessão consiste na tenacidade de um Espírito do qual não se consegue desembaraçar.
Na obsessão simples, o médium sabe perfeitamente que está lidando com um Espírito mistificador, que não se disfarça e nem mesmo dissimula de maneira alguma as suas más intenções e o seu desejo de contrariar. O médium reconhece facilmente a mistificação e como se mantém vigilante, raramente é enganado. Assim, esta forma de obsessão é apenas desagradável e só tem o inconveniente de dificultar as comunicações com os Espíritos sérios ou com os de nossa afeição. Podemos incluir nesta categoria os casos de obsessão física, que consistem nas manifestações barulhentas e obstinadas de certos Espíritos que, espontaneamente, produzem pancadas e outros ruídos.
A fascinação tem consequências muito mais graves. Trata-se de uma ilusão criada diretamente pelo Espírito no pensamento do médium e que paralisa de certa maneira a sua capacidade de julgar as comunicações. O médium fascinado não se considera enganado. O Espírito consegue inspirar-lhe uma confiança cega, impedindo-o de ver a mistificação e de compreender o absurdo do que escreve, mesmo quando este salta aos olhos de todos. A ilusão pode chegar ao ponto de levá-lo a considerar sublime a linguagem mais ridícula. Enganam-se os que pensam que esse tipo de obsessão só pode atingir as pessoas simples, ignorantes e desprovidas de senso.
Os homens mais atilados, mais instruídos e inteligentes noutro sentido, não estão mais livres dessa ilusão; o que prova tratar-se de uma aberração produzida por uma causa estranha, cuja influência os subjuga. Dissemos que as consequências da fascinação são muito mais graves. Com efeito, graças a essa ilusão que lhe é consequente o Espírito dirige a sua vítima corno se faz a um cego, podendo levá-lo a aceitar as doutrinas mais absurdas e as teorias mais falsas, como sendo as únicas expressões da verdade. Além disso, pode arrastá-lo a ações ridículas, comprometedoras e até mesmo bastante perigosas.
Compreende-se, facilmente, toda a diferença entre a obsessão simples e a fascinação. Compreende-se também que os Espíritos provocadores de ambas devem ser diferentes quanto ao caráter. Na primeira, o Espírito que se apega ao médium é apenas um importuno pela sua insistência, do qual ele procura livrar-se. Na segunda, é muito diferente, pois para chegar a tais fins, o Espírito deve ser esperto, ardiloso e profundamente hipócrita. Porque ele só pode enganar e se impor usando máscara e uma falsa aparência de virtude. As grandes palavras como caridade, humildade e amor a Deus servem-lhe de carta de fiança. Mas, através de tudo isso, deixa passar os sinais de sua inferioridade, que só o fascinado não percebe; e por isso mesmo ele teme mais do que tudo, as pessoas que vêem as coisas com clareza. Sua tática é quase sempre a de inspirar ao seu intérprete afastamento de quem quer que possa abrir-lhe os olhos. Evitando, por esse meio, qualquer contradição; está certo de ter sempre razão.
A subjugação é um envolvimento que produz a paralização da vontade da vítima, fazendo-a agir malgrado seu. Esta se encontra, numa palavra, sob um verdadeiro jugo. A subjugação pode ser moral ou corpórea. No primeiro caso, o subjugado é levado a tomar decisões frequentemente absurdas e comprometedoras que, por uma espécie de ilusão, considera sensatas: é uma espécie de fascinação. No segundo caso, o Espírito age sobre os órgãos materiais, provocando movimentos involuntários. No médium escrevente produz uma necessidade incessante de escrever, mesmo nos momentos mais inoportunos. Vimos subjugados que, na falta de caneta ou lápis, fingiam escrever com o dedo, onde quer que se encontrassem, mesmo nas ruas escrevendo em portas e paredes.
A fascinação é mais comum do que se pensa. No meio espírita, ela se manifesta de maneira ardilosa através de uma avalanche de livros comprometedores, tanto psicografados como sugeridos a escritores vaidosos, ou por meio de envolvimento de pregadores e dirigentes de instituições que se consideram devidamente assistidos, para criticarem a Doutrina e reformularem os seus princípios.
A subjugação corpórea vai, às vezes, mais longe, podendo levar a vítima aos atos mais ridículos. Conhecemos um homem que, não sendo jovem nem belo, dominado por uma obsessão dessa natureza, foi constrangido por uma força irresistível a cair de joelhos diante de uma jovem que não lhe interessava e pedi-la em casamento. De outras vezes, sentia nas costas e nas curvas das pernas uma forte pressão que o obrigava, apesar de sua resistência, a ajoelhar-se e beijar a terra nos lugares públicos diante da multidão. Para os seus conhecidos passava por louco, mas estamos convencidos de que absolutamente não o era, pois tinha plena consciência do ridículo que praticava contra a própria vontade e sofria com isso horrivelmente.
Dava-se antigamente o nome de possessão ao domínio exercido pelos maus Espíritos, quando a sua influência chegava a produzir a aberração das faculdades humanas. A possessão corresponderia, para nós, à subjugação. Se não adotamos esse termo, é por dois motivos: primeiro, por implicar a crença na existência de seres criados para o mal e perpetuamente voltados ao mal, quando só existem seres mais ou menos imperfeitos e todos eles susceptíveis de se melhorarem; segundo, por implicar também a idéia de tomada do corpo por um Espírito estranho, numa espécie de coabitação, quando só existe constrangimento. A palavra subjugação exprime perfeitamente a idéia. Assim, para nós, não existem possessos, no sentido vulgar do termo, mas apenas obsedados, subjugados e fascinados. (.....)
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